quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

JOGRAL "MEU LINDO PRESENTE DE NATAL"

Se alguém desejar, pode baixar este jogral que preparei a partir de um maravilhoso poema de Myrtes Mathias.

Para quem não deseja o jogral, mas quer ler o poema, aqui o deixo!!

MEU LINDO PRESENTE DE NATAL

Este ano, Senhor, eu venho-Te agradecer
o meu lindo presente de Natal,
que chegou com antecipação.

Tu és o aniversariante,
mas eu é que recebi o presente, na forma de uma revelação.
Bem sei que a Verdade é eterna, 
mas descobri-la é sempre um milagre.

Esta chegou-me num diálogo simples de criança:
— Por que será que Deus nos ama tanto?
— Ora, “porque Ele só tem um de cada um de nós”.

Simples. Tão simples quanto as coisas grandes.
No entanto, ela entrou em meu coração como uma dádiva de amor,
como uma porta aberta para o céu.

Como é doce pensar, Senhor,
que na Tua preciosa coleção
não possuis mais que um “eu”.

São milhares de sábios, piedosos, fortes, heróis,
ao lado de milhões de fracos, indoutos, tímidos, inconsequentes,
mas cada um deles…
cada um de nós,
tem valor de mundo inteiro,
porque, para beleza da Tua obra,
não existe nenhum duplicado

que possa ser trocado ou substituído.

Estou certa de que, se o inimigo Te aparecesse,
como naquele distante dia no deserto da tentação para propor-Te
—“Tudo isto te darei em troca de um desses pequeninos seguidores teus”
Tu o expulsarias novamente


Além disso, o que pode ser mais doce, entre a terra e o céu,
do que esta certeza de saber
que nem mesmo a Tua onipotência pode apagar de Tuas mãos marcadas
as letras do meu nome que nelas estão gravadas com o sangue
que o Amor derramou e escreveu?

Aleluia, pois, Deus de minha alma
pelos pardais que não caem sem permissão do Alto,
pelo lugar dos pequeninos no reino de Teu Pai,

Por tudo isso, no Teu dia, eu me ajoelho
para agradecer o meu presente-revelação:
Sou insubstituível no Teu plano,
      única  na tua preciosa coleção.


Myrtes Mathias, Há um Deus em tua  vida


PARA CASA - Trimestre D - Lição 1


Já está disponível a folha "PARA CASA" relativa à primeira lição de EBPV - Estudo bíblico para a vida, Trimestre D. Pode baixar aqui. Também pode baixar os devocionais referentes às leituras diárias que se encontram nela indicadas

Devocional para crianças (56) - Deus é Todo-poderoso

“Agora, pois, Senhor nosso Deus, livra-nos da sua mão, para que todos os reinos da terra saibam que só tu, Senhor, és Deus.” II Reis 19:19

Este versículo faz parte da oração de um rei de Israel, Ezequias, em que este pede ajuda a Deus para o libertar de Senaqueribe, rei da Assaria que queria invadir Jerusalém. Junto do Templo o rei leu uma  carta que Senaqueribe lhe enviou dizendo-lhe para ele se render porque o seu Deus não o podia ajudar, e lembra-o da forma como os Assírios tinham conquistado os povos à volta de Israel. O rei Ezequias, então ora a Deus pedindo que o Senhor mostre, pela Sua ação, que é o único Deus verdadeiro. II Reis 19:32 diz  qual foi a resposta do Senhor. Procura e lê-a.

Pensa nisto: Às vezes somos ameaçados e temos medo. Dizem-nos que Deus não existe ou não tem poder para nos ajudar. Até gozam connosco dizendo: “O teu Deus não te ajuda?” Mas lembra-te que a Palavra de Deus está cheia de provas de que o Senhor é mais poderoso do que todos os deuses. Na verdade Ele é o único Deus e é Todo-Poderoso!  


Ora: Agradece a Deus o Seu cuidado e proteção.



De acordo com as lições para crianças (EBPV - Estudo bíblico para a vida) publicadas pelo Cebapes, Livraria Baptista. Pode baixar aqui as leituras para toda a semana.

Devocional para crianças (55) - Agradece o sustento

"Jesus, então, tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos que estavam reclinados; e de igual modo os peixes, quanto eles queriam." João 6:11

A Ana imagina muitas vezes como deve ter sido extraordinário o milagre da multiplicação dos pães!
Tanta gente sentada na encosta do monte e os pães e os peixes a serem repartidos sem nunca acabarem! Todos os dias, quando a família ora antes da refeição, ela lembra-se de que Jesus, que era Deus, também pegou no pão e deu graças por ele!

Pensa nisto: Tudo o que temos nos foi dado por Deus. Devemos, pois, agradecer todos os dias a Deus 
aquilo que ele nos dá para a nossa vida.


Ora: Agradece a Deus porque Ele te sustenta com amor. Lembra na tua oração todos aqueles que passam necessidades e pede a Deus que te ajude a partilhar com aqueles que não têm.



De acordo com as lições para crianças (EBPV - Estudo bíblico para a vida) publicadas pelo Cebapes, Livraria Baptista. Pode baixar aqui as leituras para toda a semana.

Devocional para crianças (54) - Ama a Palavra de Deus

"Deleitar-me-ei em teus mandamentos, que eu amo." Salmo 119:47

A professora da Escola Dominical às vezes diz: “Fechem os olhos. Imaginem que é Deus a falar” e lê a passagem bíblica da lição. A Ana gosta imenso quando a professora faz isto. Quando imagina que é Deus a falar ela compreende melhor o Seu amor por nós.

Pensa nisto: Os mandamentos de Deus, escritos na Bíblia, são a revelação do amor e cuidado de Deus por nós. Parece-nos às vezes que são muito difíceis de praticar, mas não são. Se amamos Deus, também amamos os seus mandamentos e estamos desejosos de os cumprir. E não te esqueças: quando estiver a ser difícil resistir à tentação, fala com Deus e pede a Sua ajuda. Ele está lá para te ajudar.


Ora: Agradece a Deus porque Ele comunica connosco através dos mandamentos que estão contidos na Sua Palavra.



De acordo com as lições para crianças (EBPV - Estudo bíblico para a vida) publicadas pelo Cebapes, Livraria Baptista. Pode baixar aqui as leituras para toda a semana.

Devocional para Crianças (53) - Alegra-te no Senhor

"Grandes coisas fez o Senhor por nós, e por isso 
estamos alegres." Salmo 126:3

Hoje foi a inauguração do novo templo da Igreja da Irene. É grande e bonito! A igreja teve que arranjar novas instalações porque as anteriores eram muito pequenas e estavam em mau estado. Muitas pessoas têm ido à igreja, e bastantes têm aceitado Jesus como seu Salvador e por isso o templo estava a ficar muito pequeno. A igreja toda começou a orar por um novo espaço e um dia, num local bastante perto, apareceu uma casa à venda! Hoje é o dia da inauguração e todos se alegram porque Deus respondeu às orações e lhes mostrou o local para o novo templo

Pensa nisto: Em todas as situações da nossa vida devemos confiar no Senhor. Ele sabe melhor do que nós aquilo de que necessitamos. Temos que aprender a falar com Ele e estar atentos à Sua resposta.


Ora: Pensa nas coisas boas que Deus te tem dado e agradece-Lhe por isso. 

De acordo com as lições para crianças (EBPV - Estudo bíblico para a vida) publicadas pelo Cebapes, Livraria Baptista. Pode baixar aqui as leituras para toda a semana.

CASTELO FORTE É NOSSO DEUS - História de um hino




Conseguiremos nós hoje, cristãos do século XXI, conceber um culto sem a participação congregacional, especialmente através do canto? Será difícil!
Contudo, antes da Reforma, era assim, pois não era permitido aos leigos cantarem na igreja. Durante o ato de culto os fiéis deviam permanecer em silêncio enquanto a música era executada por profissionais, sacerdotes e cantores,  interpretada através de instrumentos complexos como os órgãos de tubos e entoada em latim, uma língua que o povo não entendia. O que, aliás, se passava também com o resto do serviço religioso.
Foi durante o século XVI que os reformadores envolveram o povo no ato de culto especialmente através do canto congregacional. Para esse fim compuseram melodias simples, fáceis de cantar, que estivessem ao alcance de todos. Contudo, embora os temas melódicos fossem simples, através da sua letra eles eram o veículo de mensagens teologicamente fortes! Assim, como a maioria das pessoas do povo no século XVI eram analfabetas, o canto tornou-se a forma privilegiada e mais efetiva de catecismo. Enquanto louvavam a Deus, os cristãos aprendiam acerca d’Ele.
Esta grande mudança deveu-se aos reformadores, especialmente a Martinho Lutero, que no ano de 1526  reorganizou o culto alemão. A sua ideia era que a congregação se devia envolver cada vez mais no ato de culto, e cantar era a melhor forma de o fazerem. 
Assim, o grande reformador começou a criar hinos para este efeito, escolhendo alguns Salmos e adaptando-os à música. Por vezes compôs ele próprio melodias para esses hinos ou fez arranjos em músicas existentes sendo-lhe atribuídos pelo menos 36 hinos. Estes cânticos eram entoados nos mais diversos lugares e não exclusivamente na Igreja, tornando-se uma forma poderosa de propagação do Evangelho.
Os seus hinos rapidamente tiveram um grande impacto entre o povo de Deus, talvez mesmo mais, naquela altura, do que tradução da Bíblia. Aqueles que foram os seus maiores oponentes e críticos aperceberam-se desde o primeiro momento da importância dos seus cânticos e o Dr. Eck, o principal opositor a Lutero, chegou a afirmar que “a Reforma  desenvolveu-se mais através dos hinos de Lutero do que através dos seus escritos”
Um dos seus hinos mais conhecidos pela cristandade, e que se mantém atual até aos dias de hoje é aquele que tem por título “Ein feste Burg ist unser Gott”, traduzido em português com o título “Castelo Forte é nosso Deus”, incluído no “Cantor Cristão” com o número 323.
Baseado no Salmo 46, este hino é a celebração do poder soberano de Deus sobre todas as forças terrenas e espirituais, e da segurança que temos n’Ele devido à obra de Cristo. Após a sua publicação, tornou-se extremamente popular por toda a Europa Reformada.
James Montgomery Boice, um ilustre teólogo reformado escreveu:

“Quase toda a gente associa Martinho Lutero ao livro de Romanos, particularmente Romanos 1:17 “O justo viverá pela fé”. Tendemos a esquecer que Lutero se converteu não apenas pelo seu estudo de Romanos, mas também pelo seu estudo de Salmos. Lutero ensinou os Salmos durante anos e amava-os muito. O seu salmo favorito era o 46. Diz-se de Lutero que houve alturas durante as épocas mais negras e perigosas da Reforma, em que ele se sentiu desencorajado e deprimido. Contudo, em tais momentos ele virava-se para o seu amigo Philipp Melanchthon e dizia: “Anda, Philip! Vamos cantar o Salmo 46”. E os dois cantavam-no na versão do próprio Lutero.”

Luois Benson, um pastor Presbiteriano de Filadélfia, escritor reconhecido na área da hinologia escreveu acerca deste hino:

“Era a “Marselhesa" da Reforma. Foi cantado em Augsburg durante a Dieta e em todas as igrejas da Saxónia, frequentemente sob o protesto do sacerdote. Foi cantado nas ruas; e, assim se diz, confortou os corações de Melanchtonm, Jonas e Cruciger, ao entrarem em Weimar, quando foram banidos de Wittenberg em 1547. Foi cantado pelos pobres emigrantes protestantes a caminho do exílio e por mártires na sua morte. Foi tecido na teia da história dos tempos da Reforma, e tornou-se o verdadeiro hino nacional da Alemanha Protestante.”

Como já foi referido, o pano de fundo da composição deste hino foi a época agitada da Reforma Protestante do século XVI. Contudo, não se sabe ao certo se houve algum incidente em particular que tenha inspirado Lutero à sua composição.
Alguns estudiosos associam a composição do hino a um período de grande sofrimento físico. Ele esteve doente com a sua primeira crise de pedra nos rins, no mesmo ano em que a praga de 1527 assolou a Europa. O seu filho mais velho, com cinco anos na altura ficou tão doente que pensaram que ele ia morrer.
Outros investigadores pensam que o hino foi escrito aquando da cerebração dos dez anos da afixação das 95 teses na porta da capela do castelo de Wittenberg. Nessa altura, ele escreveu a um amigo: “O nosso grande conforto, garantia de que podemos ficar firmes perante os ataques do diabo, é que temos a Palavra de Deus que salva as almas mesmo que os nossos corpos sejam despedaçados. Ora por nós, para que possamos com bravura e com a ajuda da mão de Deus, derrotar o poder do diabo seja através da vida, seja através da morte.”
Outras teorias existem sobre o evento que terá estado por trás da composição do hino. Contudo, parece-nos que mais do que um evento específico, foi a vida do próprio autor a inspirá-lo para a sua criação. Os tempos da Reforma Protestante na Europa foram marcados por perseguições, sangue, autos de fé. Lutero viu a sua vida em perigo diversas vezes e sobreviveu refugiado  na fortaleza de Warteburg onde se dedicou à tradução da Bíblia para a língua alemã. Ali lhe chegavam as notícias da morte de tantos filhos de Deus e tudo isto o terá feito viver intensamente a verdade contida no versículo 1 do Salmo 46: “O Senhor é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.”

O hino atravessou quatro séculos e ainda hoje, quando o cantamos, não conseguimos deixar de sentir o arrepio provocado pelas suas palavras! O canto congregacional tem este efeito em nós, une-nos na adoração e enche a nossa alma com a verdade da Palavra de Deus. Os Reformadores tinham esta percepção, e será bom que ela não seja perdida. Cada dia se cantam menos hinos nas igrejas, os quais vão sendo substituídos por outros cânticos de teologia light e muitas vezes incorreta, eventualmente mais de acordo com a forma ligeira de se viver no atual século.

Dina Marques
In Lar Cristão, #170